O preço da ilusão
O texto aponta custo de R$ 340 bilhões para medidas do governo e alerta para impactos de subsídios, inflação e juros altos.
Por Redação, Persio Isaac, Oeste Cidade | Notícias de Presidente Prudente e Região

A matemática tem a péssima mania de não se importar com discursos eleitorais. Ela não vota, não se emociona com palanques e não se curva a promessas de palácio. Por mais que a demagogia oficial tente vender o paraíso a crédito, a conta sempre chega — e costuma vir acompanhada de juros escorchantes.
O brasileiro, sufocado por uma rotina de boletos e renda curta, comprou mais uma vez a ilusão de que o Estado pode tudo. A mentira continua sendo a droga mais barata e eficiente para anestesiar quem já não sabe como fechar o mês. Prometeu-se a picanha, a cerveja e o bem-estar por decreto. O problema é que o "pacote da bondade" encomendado pela gastança governamental carrega um preço assustador: 340 bilhões de reais. É uma cifra fabulosa, surreal, que simplesmente não existe nos cofres públicos. O Brasil não tem como arcar com esse rombo sem cavar o próprio buraco.
A realidade, violenta e inevitável, já bate à porta. O artifício dos subsídios tem data de validade. No diesel, o governo segura artificialmente um alívio de 3,50 reais por litro. Quando essa conta for cobrada na bomba — e ela será —, o impacto não vai parar no tanque dos caminhões. Vai se espalhar por cada prateleira de supermercado, por cada frete, por cada prato de comida.
Enquanto isso, a política monetária segue flácida, condescendente com a farra fiscal. Sem um ajuste severo nas contas do Estado, a dívida pública explodiu e a inflação ganhou o fôlego que precisava para voltar a corroer o bolso de quem trabalha. A resposta inevitável do mercado e do Banco Central será o garrote dos juros altos, paralisando investimentos e punindo exatamente quem se pretendia "salvar".
Para completar o cenário de paralisia, a ilusão de um freio institucional no ativismo judicial evaporou. Ninguém no governo vai encostar um dedo na reforma do Judiciário; o país acostumou-se a ser governado não pelo voto, mas pelas canetadas do STF, que manda e desmanda sem prestar contas a ninguém.
A única barreira que resta entre a responsabilidade e o desastre econômico total está no Congresso. Espera-se que a maioria formada por deputados e senadores da oposição tenha a coragem e a firmeza de colocar os poderes institucionais de volta aos seus devidos lugares. Se falharem, o Brasil aprenderá da pior maneira possível que o populismo fiscal não gera riqueza: apenas distribui a miséria.





