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Oeste Cidade | Notícias de Presidente Prudente e Região
CRÔNICA DO MAGRÃO

​O relógio de Paris: Do brilho da inovação ao caos do presente

O país acumula dívidas recordes, gastos elevados, estagnação e tensões sociais urbanas.

Por Redação, Persio Isaac, Oeste Cidade | Notícias de Presidente Prudente e Região

​O relógio de Paris: Do brilho da inovação ao caos do presente

​O metal ainda brilhava sob o sol dos anos 1970. Quem olhasse para o céu de Paris naqueles dias via o contorno afiado do Concorde rasgar as nuvens, como uma lança de prata apontada para o futuro. Nas vias férreas, o TGV cortava a Europa em velocidade recorde; no subsolo do país, reatores nucleares subiam um a um, prometendo energia farta e barata. Nos lares franceses, bem antes de o mundo ouvir a palavra internet, telas azuis do Minitel já acendiam.

​A França não era um museu. Era uma oficina em ritmo acelerado, uma máquina que engatara trinta anos de marcha ininterrupta — os chamados Trente Glorieuses. Havia orgulho no ar, a certeza técnica e a paixão dos construtores.

​Até que o calendário marcou maio de 1981.

​Com a vitória de François Mitterrand, o ar de Paris mudou de tom. No Palácio do Élysée, as portas se abriram para uma nova fé: a convicção de que a economia não precisava de construtores livres, mas de um ministério centralizado. Ao lado de Mitterrand sentava-se Jacques Attali, cercado por relatórios e planos estatais, acompanhado por ministros comunistas que assumiam pastas estratégicas.

​A caneta presidencial reescreveu o destino do país: em 1982, os maiores bancos e conglomerados industriais — Paribas, Suez, Saint-Gobain, Pechiney — tornaram-se propriedade do Estado. A idade de aposentadoria caiu para 60 anos, a jornada semanal foi cortada e criou-se o imposto sobre grandes fortunas. A festa, porém, durou pouco. Em menos de vinte e quatro meses, o capital assustado fugiu, a inflação disparou e o franco sofreu três desvalorizações consecutivas. Em 1983, Mitterrand teve de pisar no freio e impor austeridade.

​Mas os freios nunca reverteram o rumo; apenas desaceleraram a queda. Décadas se passaram e governos de esquerda e de direita mantiveram o mesmo hábito: adicionar mais impostos, mais regras e mais programas estatais.

​Paralelamente à ruína econômica, a classe política deu um passo ainda mais destrutivo na esfera social. Ao longo dos anos, uma política de imigração em massa e sem critérios de integração eficazes começou a transformar a demografia e o cotidiano das grandes cidades. Em vez de ensinar as novas gerações — incluindo milhões de filhos de imigrantes — a amar e respeitar a nação que os acolheu, as escolas e instituições passaram a difundir uma pedagogia de culpa histórica. A França passou a ser apresentada não como uma pátria de oportunidades, mas como uma força opressora. O resultado desse fosso cultural não demorou a emergir: os banlieues (subúrbios) fragmentaram-se e a integração deu lugar ao ressentimento.

​Quarenta anos de estagnação culminaram no cenário atual sob o governo de Emmanuel Macron. Formado no coração da burocracia estatal e herdeiro direto do modelo intervencionista de Attali — com quem trabalhou na comissão de reformas em 2007 —, Macron consolidou uma gestão marcada pela manutenção do inchaço estatal, pelo endividamento recorde e por uma política migratória incapaz de impor controle ou ordem.

​Hoje, as consequências dessa combinação de intervencionismo econômico e descontrole migratório transbordam para as ruas. A França acumula gastos públicos que devoram cerca de 57% do PIB, uma dívida superior a 3,3 trilhões de euros e um crescimento anêmico abaixo de 1%. Ao mesmo tempo, o país assiste ao aumento das tensões sociais, protestos recorrentes e episódios de violência urbana que paralisam grandes avenidas.

​Enquanto em 1995 o PIB por habitante da França e o dos Estados Unidos caminhavam lado a lado, hoje o americano produz quase o dobro da riqueza de um francês. A diferença não está no talento ou na inteligência de seus engenheiros, mas nas escolhas políticas: a substituição do dinamismo individual por um Estado paternalista e sem fronteiras operacionais.

​Quem caminha por Paris ainda enxerga a beleza de suas fachadas seculares. Mas, por trás da moldura histórica, a realidade das ruas e das planilhas mostra um país preso na teia que ele mesmo construiu — um aviso silencioso para o mundo de que o abandono da responsabilidade econômica e do controle institucional cobra um preço alto demais do futuro.

​Principais Pontos Integrados:

​O Apogeu e aguinada (1981): O forte contraste entre a era de inovação (Trente Glorieuses) e a chegada do modelo estatista.

​A Questão Migratória e Cultural: A entrada da imigração sem critérios e a falha do modelo de integração, trocando o sentimento de pertencimento por atrito cultural.

​O Governo Macron: A continuidade da tradição burocrática e intervencionista, agregada à incapacidade de gerir as fronteiras e manter a ordem pública.

​O Retrato Atual: O contraste entre o declínio econômico (dívida, gastos de 57% do PIB) e o clima de tensão nas ruas francesas.