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Entre o discurso e o jogo real: quando a política mostra sua face verdadeira

Por Adolfo Padilha, Oeste Cidade - O seu portal de notícias

Brazil flag on people palm hands raising up for volunteer, voting, help wanted, and national holiday celebration praying for Brazilian power isolated on blue sky background (clipping path)
Brazil flag on people palm hands raising up for volunteer, voting, help wanted, and national holiday celebration praying for Brazilian power isolated on blue sky background (clipping path)

A cena política brasileira vive um daqueles momentos em que as máscaras caem e o público tem a chance de enxergar, ainda que por alguns instantes, a engrenagem real que move Brasília. O caso de Davi Alcolumbre é um exemplo didático. Presidente do Senado, ele não está ali para ser dono da pauta, muito menos escudo de qualquer poder ou figura. Sua função é garantir que temas sejam debatidos democraticamente, como manda a Constituição. Mas, na prática, vimos um recuo calculado: de uma postura de resistência total, passou a falar em diálogo logo após a ameaça velada de sanções internacionais, como as previstas na Lei Magnitsky dos Estados Unidos. O medo da repercussão externa falou mais alto que a firmeza de convicção.

No Judiciário, a situação também não inspira confiança. A exigência de que Jair Bolsonaro comunique ao STF, com 24 horas de antecedência, uma internação emergencial é mais um capítulo surreal da relação política-judicial brasileira. É a tentativa de transformar o imprevisível em agenda burocrática, numa demonstração de poder que, no mínimo, desafia o senso comum.

Enquanto isso, no campo conservador, a guerra não é apenas contra adversários ideológicos, mas também dentro de casa. Eduardo Bolsonaro vem cobrando coerência de aliados, expondo aqueles que usam a imagem do pai como moeda eleitoral, mas se escondem na hora de assumir posição. O governador Tarcísio de Freitas, por exemplo, viu crescer a pressão após se ausentar de manifestações e manter, em estruturas ligadas ao governo paulista, nomes que criticam abertamente o bolsonarismo — como na TV Cultura, que vive sob a tutela do Estado.

O ponto central é que, para além das narrativas bonitas sobre “governabilidade” e “democracia”, o que realmente move o jogo político é a conveniência. Trocas de postura, alianças improváveis e pragmatismos de ocasião são a regra, não a exceção. O cidadão comum, de fora, assiste a esse tabuleiro em que o interesse público aparece apenas como figurante.

Nesse Brasil de disputas incessantes e discursos reciclados, sobra a sensação de que, quando a política mostra sua face verdadeira, ela não é nada bonita — mas, ao menos, deixa claro quem está jogando para o povo e quem apenas joga para si mesmo.

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